LABRADOR RETRIEVERS

Micro manual de filhotes

(compilado por Marília Levacov)

Ótimos donos sempre irão possuir ótimos cães: é sua paciência, sensibilidade e sabedoria que transformarão um filhote desconhecido no melhor parceiro do mundo.

Sumário

Introdução
Trazendo um filhote para casa
Ajudando o filhote a sentir-se "em casa"
Desenvolvendo bons hábitos
Convivendo com um Labrador
Ensinando coisas úteis
Disciplinando
Passeando
Higiene
Saúde


Introdução

Você quer ter um filhote de labrador? Antes pense nisso: ter um cachorro, qualquer um, significa um compromisso longo (no mínimo pelos próximos 10 anos) e sério. Tem lugar na sua vida para este compromisso? Cada raça possue suas características de personalidade desenvolvidas através de cruzamentos cuidadosos que favoreceram determinados temperamentos, para atender diferentes propósitos: guarda, caça, ataque, companhia. Um cachorro como um labrador necessita ser cuidado, alimentado, exercitado, acompanhado mas, acima de tudo, amado. Não pode ser "ligado" e "desligado" como um brinquedo. Exige tempo do dono, paciência, bom-humor, tolerância, espaço, respeito e amor. Se, por qualquer razão, você achar que não pode atender seu cão adequadamente, haja com humanidade e entregue-o a quem possa cuidá-lo e amá-lo como ele necessita. O labrador é um cão muito amoroso e merece um dono semelhante.

O labrador também é um cão gregário e considera todos os membros humanos da família como a "sua matilha". Se outras pessoas na casa, familiares, empregados, etc. não querem um cão vivendo sob o mesmo teto, isto significará aborrecimentos para você e possíveis maus-tratos para o animal. Nesse caso, procure uma raça mais independente, ou desista de ter um cão até negociar todos estes aspectos com todos os membros de sua casa. Além disso, você precisa saber que:

1. O labrador não é um cão-de-guarda! No máximo latirá para os estranhos que se aproximem da casa. E, a não ser que seja muito maltratado, será sempre um cão manso, que ama e confia nas pessoas e é incapaz de atacar. Se você precisa de um cão de guarda, esta não é a raça para você.
 
2. O labrador é um cão de companhia e de trabalho. Detesta ficar sozinho e entediado. Acabará por destruir coisas e você, com razão, se sentirá irritado. Ao contrário de muitos cães médios e grandes, ele prefere ficar com o dono num espaço pequeno do que sozinho ao ar-livre. Se ficar preso num canil, longe da convivência humana, se tornará profundamente infeliz e revoltado, talvez latindo insistentemente. Mesmo que o treine para não latir, ele continurá um cão muito infeliz. Se você necessita deixá-lo sozinho por horas e horas (afastado do convívio humano), regularmente, o labrador não é um cão para você.
 
3. O labrador precisa de exercício! O labrador é um cão vigoroso, não é ativo como um poodle ou um terrier, mas é energético e necessita de espaço e exercício. Principalmente enquanto for jovem. Se você não tem tempo para providenciar exercícios diários para seu cachorro, o labrador não é um cão para você.
 
4. O macho de qualquer raça precisa marcar o território e, para isso, tem de reserva uma quantidade quase "inesgotável" de urina. Sempre haverá mais um poste ou uma árvore no horizonte. A natureza o programou para isso. Se você não tem paciência ou muito tempo para passear, se não entende que ele fareja uma fêmea no cio em um raio de 3 km2 (em função de seu excepcional olfato) e se não tem força física para aguentar o estirão na coleira que um jovem macho é capaz de dar, compre uma fêmea.
 
5. O labrador muda a pelagem e perde muito pelo 2 vezes por ano. Se pelo de cachorro o incomoda, arranje um terrier. De minha parte, prefiro ficar com minha roupa e casa "peluda" mas ter a companhia amorosa e tranquila de um labrador do que ter um terrier temperamental, latidor e inquieto. Mas isso é uma questão de gosto pessoal. Se pelos de cachorro em sua roupa, casa e carro podem ser um grave problema na sua vida, o labrador não é um cão para você.
 
6. "Não existem maus labradores e sim maus donos". Se você não acredita que sua liderança humana, amorosa e firme é DECISIVA na sua relação com um cachorro, então o labrador não é um cão para você.
 
7. Por último, o filhote de labrador, como qualquer filhote, é exuberante e ativo. Gosta de brincar, roer, correr, etc. mas, como é relativamente grande apesar de jovem, seu poder de destruição é grande também. Se você não tem tempo para passear e gastar sua energia, se não tem tolerância e bom-humor para com os eventuais estragos até que ele se torne um adulto tranquilo, o labrador não é um cão para você ( não ser que você opte por comprar um cão adulto, o que pode ser ok também).



Trazendo um filhote para casa

Ao procurar por um filhote de labrador, procure comprar um cão com pedigree: isso garante não só as características físicas de seu cão mas, mais importante que tudo, o temperamento dócil e afetuoso que caracteriza os verdadeiros labradores.

Antes de trazer seu filhote de labrador para sua casa, você vai precisar torná-la "à prova de filhotes curiosos e roedores". Isso significa tirar do caminho fios elétricos, tapar tomadas, levantar os potes com plantas venenosas e guardar líquidos e produtos de limpeza potencialmente venenosos em lugar alto ou trancado. O mesmo vale para venenos de formiga, barata e ratos, certos adubos ou tintas. Se você possui um piscina ou laguinho, significa cercá-los ou esvaziá-los, pois os labradores adoram água e, por esta razão, é comum que se afoguem se não tiverem como sair. Outra boa solução é prover sua piscina c/ uma escada ou rampa q/ o cão possa usar para sair.

A maioria dos filhotes, de qualquer raça, costuma ser vendida entre 50 e 90 dias de idade. Estão dentro do que é chamado, em termos de desenvolvimento cognitivo canino, de "período de sociabilização humana". Este período, que dura, em geral, até 100 dias, é a melhor época para um filhote aprender a conviver com os humanos e desenvolver a confiança necessária a um convívio ideal. Também é importante não separar o filhote de sua mãe até os 45 dias, pelo menos, quando ocorre o "período de sociabilização canina", que lhe permitirá conviver pacificamente, no futuro, com outros animais de sua espécie, sem temê-los. Sem aprender as lições de "sociabilização animal", que ocorrem com a mãe e o resto da ninhada, este filhote poderá tornar-se um adulto que reagirá com agressividade ou excesso de submissão quando encontrar outros cachorros. O dono tem o dever de estimular ambas socializações: a "canina", permitindo que o filhote se aproxime e brinque com outros cães; e a "humana", acariciando-o, e estimulando que outros seres humanos façam o mesmo, para que ele aprenda a confiar e sentir-se seguro.


Ajudando o filhote a sentir-se "em casa"

Antes de levar seu filhote de labrador para casa, procure deixar com a mãe dele, por 24 horas, o cobertor aonde ele irá dormir. Assim, embalado pelo cheiro familiar, será mais fácil para adaptar-se ao novo ambiente. Ainda que a separação da mãe seja traumática, o labrador é um cão tão gregário e amante das pessoas, que rapidamente se adaptará ao novo lar.

Lembre-se também de acariciar bastante o filhote e estimular que todos os membros da casa também o façam. Ele precisa de carinho para amenizar a tristeza da separação da mãe e dos irmãos com quem conviveu até agora, a solidão que acompanha esta separação e o mêdo deste ambiente novo com pessoas desconhecidas que o cerca.

Além disso, filhotes acariciados são mais fáceis de treinar e tornam-se adultos mais obedientes.

Você precisa também comprar 2 tijelas (proporcionais ao tamanho do filhotinho), daquelas com a base mais larga e pesada, para não virarem com a água e a comida, de preferência de metal, para que ele não as possa roer nos primeiros meses. Precisa também da ração de filhote que ele estiver consumindo com o resto da ninhada (deixe para mais tarde as experiências culinárias) e que irá misturar com um pouco de guisadinho de carne crua. Cães, como os lobos, são animais carnívoros e amam carne crua, nada de frituras, sal e gordura em geral. Não seja um dono burro e rígido. Misture carne à ração e, se o animal aceitar, misture também legumes ou frutas, como cenouras ou maçãs raladas. Os labradores são "bons de garfo" e ADORAM comer. Se ele não quiser uma determinada ração, mude. Respeite o paladar do animal.

Você precisará ainda de uns "brinquedinhos" para ele roer: bolas de borracha duras ou de tênis, bichos de borracha com textura para massagear as gengivas (lembre-se de tirar o "apito" que estes brinquedos tem, para evitar que o cãozinho o engula e se engasgue), ossos de couro, frisbee, etc. Evite usar chinelos velhos, meias, ou outros objetos de uso humano, uma vez que, mais tarde, o filhote não saberá distinguir entre os "permitidos" e os "proibidos" e poderá destruir coisas que não deveria (e ser punido por um erro do dono).

 

Leve o filhote para casa no início do fim de semana. Assim, terá bastante tempo para ajudá-lo a adaptar-se. Fale em tom carinhoso e em voz baixa. Ainda não é a hora de treiná-lo em coisa nenhuma. Isto pode esperar para as próximas semanas e todos precisam ter um pouco de paciência e tolerânci para com eventuais "acidentes" fisiológicos. Nesses primeiros dias você precisa apenas estabelecer um bom e duradouro relacionamento com o filhote, criando uma atmosfera de afeto e de encorajamento. Logo depois de comer leve-o onde ele irá defecar e aguarde, brincando, que isto aconteça (e que o cheiro, o hábito e o tempo, façam a sua parte). Poupe-o, nestes primeiros dias, de cães aterrorizantes e de crianças "super-exuberantes" ou excessivamente "carinhosas", pois estas podem machucar, assustar ou super-estimular o filhote.

 

Desenvolvendo bons hábitos

Os cães são similares aos humanos em muitas coisas: eles também precisam de companhia e de estímulos
Desde o início o filhote necessita de ter um lugar para dormir que seja tranqüilo, seco e protegido. Coloque lá o cobertor com o cheiro da mãe e certifique-se de que está ao abrigo do vento, no inverno. Permita que o cãozinho cheire e investigue bem a área de dormir e depois, sempre que ele se mostrar sonolento, leve-o "para a cama" e acaricie-o até que adormeça. Isto ajuda-lo-á a sentir-se mais seguro durante este período delicado e o ensinará a retornar a este local sempre que precisar descansar, a medida que for crescendo. Os labradores são cães rústicos mas necessitam de maiores confortos e cuidados quando são pequenos.

Faça com que graduativamente, ao longo das próximas semanas, seu filhote conheça e brinque com um número crescente de pessoas e de outros animais (que estejam sadios e vacinados). Com a permissão do veterinário, assim que todas as vacinas estiverem aplicadas, leve-o a passear de carro, a visitar outras casas, a brincar com crianças, providenciando estímulação física e mental. Desta maneira o filhote irá tornar-se num adulto sadio e inteligente. Um filhote aprende observando a mãe. Na sua ausência, é observando os donos que ele aprenderá a comportar-se adequadamente com os humanos e os de sua espécie.

Os cães conhecem o mundo pelo faro. Este é seu orgão mais importante e intenso. Permita que seu filhotinho explore bem todos os cheiros de um novo ambiente antes de começar alguma "lição". E lembre-se: o período de atenção de um filhote é ainda pequeno. Faça suas "aulas" curtas mas freqüentes. Seja consistente e mesmo fora da hora de "aula" não mude o que ele pode e não pode fazer.

Convivendo com um Labrador


Ensinando coisas úteis

Como o labrador é um retriever, (buscador) buscar coisas (caça e objetos variados, inclusive nossos sapatos favoritos), é uma atividade inata. Como também é obediente, dócil e muito inteligente, é a raça padrão para o trabalho como guia de pessoas cegas ou pessoas inválidas. Seu labrador adora carregar coisas na boca. Ele é um dos principais cães de soft-bite (mordida macia), aquelas raças que "não apertam" os dentes e podem trazer, relativamente intactos, os mais variados objetos. Permita que ele aprenda a levar a coleira e pequenos objetos que não sejam frágeis ou a parte do jornal que você não pretendia mesmo ler (como os encartes publicitários, etc). Com o tempo ensine-o a buscar coisas variadas. Em geral bolas e frisbees são os objetos ideais pra brincar de buscar. Minha cachorra labradora adora me "ajudar" com as compras do super-mercado. Deixo que ela leve sacos c/ objetos q/ não se estragarão c/ a mandíbula dela e, mais ainda, tenho no porta-luvas um ou 2 objetos ensacados previamente, caso eu não compre nada que ela possa levar. Assim garanto que ela se sinta "participante", com uma "tarefa", o que a deixa MUITO feliz.

POEMINHA CANINO
What do you mean "expensive shoe"?
I ate it because it smelled of you.

tradução:O que queres dizer com "sapatos caros"?
Eu os comi porque tinham teu cheiro
.

Ensine seu filhote de labradora sentar e o premie com biscoitos e/ou carinhos e elogios cada vez que ele obedecer ao comando correto. Isto se chama "reforço positivo" e, desta maneira, as lições serão sempre bem-vindas. Depois que aprender a sentar ensine o comando "espere!" fazendo com que ele fique sentado imóvel enquanto o dono se afasta. Faça isto gradualmente, sempre o acariciando e elogiando quando voltar. Cada dia afastando-se um pouquinho mais. E tenha paciência. Com o tempo ele aprenderá a esperar sentado enquanto você entra numa loja, por exemplo, e se afasta por alguns minutos do campo de visão dele.

Por mais que seu labrador o ame, ele é ainda um filhote, cheio de curiosidade pelo mundo, onde os odores o atraem e desafiam. Se você recompensá-lo sempre que ele atender (com um biscoito. um carinho e um elogio) quando o chamar, seu cãozinho terá uma boa razão para obedecê-lo. Não o puna com palavras duras ou gestos agressivos se ele só vier depois de várias chamadas. Voltar ao dono precisa ser uma ação sempre agradável para o animal. Comece com uma coleira bem longa. Se ele não vier, puxe a coleira gentilmente e o acaricie quando ele estiver perto. Rapidamente ele aprenderá a atender. NUNCA dê safanões na coleira ou no enforcador. Isto é uma crueldade e o cão não entenderá porque esta´sendo punido. Pense em como você se sentiria se alguém fizesse isso com o SEU perscoço...

 


Disciplinando

Como numa criança humana, o período de dentição canina desencadeia uma enorme coceira nas gengivas e um desejo de roer coisas. Caso seu filhote tem mania de roer o que não deve, como pés de cadeira, chinelos, tapete, etc, passe um pouco de pimenta líquida sobre estes objetos (mas apenas sobre os objetos!). O gosto ruim e o cheiro forte são suficiente para desencorajá-lo. Ao mesmo tempo, ofereça-lhe objetos alternativos para que ele possa satisfazer sua necessidade de roer, como os "ossos" de couro a venda em super-mercados ou lojas de produtos veterinários.

É inato nos animais de matilha tentar obter a liderança. Seu filhote vai testá-lo para ver quem é o "chefe", eventualmente rosnando e tentando se afirmar ignorando algumas ordens. Seja firme e não permita que ele rosne para você e nenhum membro da família. Segure-o com firmeza, levante-o no ar e olhe nos olhos dele dizendo NÃO, NÃO com voz braba. Isto é suficiente para que o filhote entenda quem é o "chefe da matilha" por um certo tempo. Quanto menor o filhote, menor é o tempo de retenção da mensagem, assim não se preocupe se você precisar repetir isto algumas vezes. Não bata no animal. Os labradores não precisam de dor física para entender. É uma covardia e uma maldade fazê-lo.

A mesma lição deve ser dada se o filhote rosnar para qualquer pessoa enquanto estiver comendo. Não permita que isto aconteça mas entenda que é inato no animal proteger sua comida. Apenas segure-o com firmeza e diga NÃO, NÃO com voz enérgica. Faça isto até ter certeza de que ele permite que qualquer membro da família mexa no prato enquanto ele estiver comendo. Você é o "líder da matilha" mas está na natureza do filhote desafiá-lo de vez em quando e tentar mandar também. Apenas seja firme e isto irá desaparecer.

Existe um livro MARAVILHOSO chamado "O ENCANTADOR DE CÃES", de Cesar Millan, editora Verus. Ele é – especialista em comportamento canino e apresentador do programa The Dog Whisperer, do National Geographic Channel. Faça dele a sua BÍBLIA! Com este livro, "você aprenderá por que os instintos naturais dos labradores e dos cachorros em geral são a chave para um relacionamento feliz com eles; que talvez você não esteja dando ao seu cão aquilo de que ele realmente precisa; como se relacionar com seu animal de modo 'canino'; que não existem 'raças-problema', e sim 'donos-problema'; por que todos os cães necessitam de uma função; como escolher um cachorro que seja adequado para você e para a sua família; as diferenças entre disciplina e punição; etc.". '

 

Passeando

Os labradores ADORAM passear com os donos. Na verdade, TODO O CÃO PRECISA PASSEAR DIARIAMENTE. Eles precisam gastar sua energia para poderem permanecer calmos e felizes depois. Claro que um filhotinho caminhará muito pouquinho mas, à medida que ele crescer, AUMENTE o tempo da caminhada. Para tais paseios, você vai precisar de uma coleira até ele aprender a andar do seu lado sem uma. Procure uma coleira tipo "peitoral", um tipo de X que cruza nas costas do filhote e permite que ele seja contido sem ser machucado. Caso opte por uma "pescoceira" EVITE aquelas que possuem pontas para dentro, escolha as macias e largas. O labrador é um cão dócil e basicamente obediente. Aquelas coleiras devem ser reservadas para cães de ataque, como pitbulls ou dobermans. Certifique-se de que a coleira não está apertada.

Os labradores não são agressivos com outros cães ao passear. Ao contrário, querem sempre confraternizar, cheirar, aproximar-se e brincar. Permita que seu cão brinque com outros cachorros, que possa cheirá-los e ser cheirado. Mantenha uma atitude tranquila, confiante e amistosa pois, como nós, os labradores precisam de companhia de seus semelhantes, de vez em quando, para se des-estressarem e ficarem alegres. Cão que não brinca com outros torna-se excessivamente agressivo ou submisso, é um cão infeliz, inquieto e desconfiado. Isto não é uma atitude canina normal entre os labradores. Não esqueça que o cão olhará sempre para o dono esperando sua reação para saber como comportar-se, principalmente quando jovem. Estimule-o a aproximar-se de modo amigo e tranquilo de outros cachorros, dando o exemplo. Seu cão será mais obediente e feliz se puder brincar com outros quando passeia.

Existem basicamente 2 tipos de passeios:

1. A pé: Faça disso uma atividade diária sagrada, uma boa desculpa para manter-se me forma. Logo vocês dois irão aguardar com impaciência esta hora gostosa do seu dia. Uma caminhada de pelo menos 1/2 hora é fundamental para a saúde de seu cachorro, no mínimo uma vez por dia. A medida que ele for crescendo, se possível, aumente este tempo. Ambos irão se beneficiar intensamente do exercício. Um labrador sem exercício torna-se entediado, destrutivo e obeso. Para que estes passeios sejam tranquilos, seu labrador precisa aprender a segui-lo obedientemente, não atravessar a rua nem sair pulando nas pessoas que encontrar no caminho. Este aprendizado pode durar vários meses, pois os filhotes são como crianças cheias de energia e entusiasmo mas com um a memória "seletiva". Outra coisa importante: o FARO de um labrador é muito sensível e intenso. Permita que ele cheire objetos, árvores, plantas, outros animais, pessoas, etc. quando vocês sairem a passear (principlmente no início do passeio, quando ele escolhe onde urinar). NUNCA dê safanões bruscos na coleira para punir o cão. Isto é uma burrice e, pior, uma crueldade. Respeite as necessidades atávicas de cão para que ele o respeite também. Vocês agora são uma matilha.

 

2. De carro: Se você for sair de carro, procure levar seu cachorro sempre que possível. Os labradores preferem ir junto no carro, mesmo que o espaço seja pequeno, a ficarem para trás. Entretanto é importante lembrar que, se estiver quente, o cachorro NÃO PODE SER DEIXADO NO CARRO a não ser que este fique na sombra e com as janelas abertas. Um carro fechado super-aquece em minutos e a temperatura pode subir tão rapidamente que seu cachorro pode desmaiar ou mesmo morrer de calor antes que você volte. Lembre-se que ele não pode "tirar o casaco" ou abanar-se, pode suar apenas pela língua e é um animal de clima frio. Na verdade, é seguro dizer que os labradores em geral, principalmente os mais escuros, sofrem com o calor e com o sol e se sentem melhores quando está mais frio.

 


Higiene

Os labradores gostam muito de água. Isto é inato. Seu amor a água é tal que eles também são conhecidos como "cães d'água". A origem da raça, na Província do Labrador, no Canadá, está associada a atividade pesqueira que estes animais faziam, na companhia do homem. Os labradores tem uma espécie de nadadeira entre seus dedos que lhes permite deslocar-se dentro da água de modo vigoroso e rápido e o tornam um excelente cão para caça de marrecos. Ensine-o a nadar com gentileza e sem sustos. Tornando tudo uma brincadeira, num instante seu filhote vai tornar-se uma "foca".

Ainda com relação a higiene, o ouvido dos labradores deve ser limpo regularmente com uma pinça longa envolvida por chumaço grande e macio de algodão seco. Vá com cuidado para não machucar o animal e penetre no máximo 0.5 cm no canal auditivo. Limpe as dobras externas com atenção. Se quiser, use uma loção suave, como "Higiapele", que não arde e é anti-alérgica. O labrador não é um cão com odor forte e, se você mantiver suas orelhas limpas, 90% do cheiro dele estará eliminado. Você pode colocar um farto chumaço de algodão quando lavá-lo, para garantir que as orelhas ficarão secas. As unhas devem ser cortadas apenas por um veterinário, se necessário. Cortá-las muito curtas é doloroso para o animal e sangra.

Se você mora em apartamento, procure levá-lo para fazer suas necessidades fisiológicas na rua a cada 4 horas durante o dia e o mais tarde possível à noite. A bexiga dele é IGUAL a sua. Mesmo não ingerindo água e comida depois das 19 horas (a não ser que esteja uma noite muito quente, claro), deve-se levá-lo ainda uma última vez às 22 horas (ou até mais tarde, se possível) e, enquanto ele for filhote, ter paciência com eventuais acidentes. Esfregar o nariz do cachorro na urina NÃO vai ensiná-lo nada, pois o filhote é incapaz de associar uma coisa com a outra. Procure levá-lo para sair logo após alimentá-lo, pois é quando o reflexo fisiológico se torna mais urgente.

Como falei acima, os labradores possuem um olfato apurado. Esta é a razão pela qual a polícia em muitos países os utilizam para descobrir drogas escondidas em veículos ou seres humanos ou para descobrir vítimas de desabamentos entre escombros e minas. Por esta razão, evite usar perfumes, talcos ou shampoos perfumados no pelo deles. Evite também produtos de limpeza com odores muito fortes, pois através do faro o animal os percebe com uma intensidade várias vezes à da percepção humana e isto os incomoda. Reserve produtos com cheiros fortes para aqueles lugares dos quais você quer manter o filhote afastado.


Saúde

1. Vacinas: Faça todas as doses de vacina necessárias a uma boa imunização do seu labrador. Só leve seu cão a passear onde existam outros animais DEPOIS que as vacinas contra cinomose e parvovirose estiverem completas. A vacina anti-rábica deve ser repetida anualmente, a partir dos 6 meses de idade. Guarde sempre a caderneta com datas e os lotes de todas as vacinas ou um atestado equivalente do veterinário.
2. Alimentação: O labrador é um cão robusto. Não é esguio como um setter nem pesado como um fila. Precisa comer adequadamente, principalmente enquanto estiver crescendo (até os 2 anos de idade). O filhote precisa de 3 a 4 refeições ao dia. Pelos 6 meses isto pode mudar para 2 refeições ao dia e, quando adulto, pelo menos uma refeição grande por dia. Se estiver quente, você pode desdobrar isto em 2 refeições menores. Se você mora em um apartamento, procure evitar água (se não estiver muito quente) e comida após as 19 horas para evitar "acidentes" fisiológicos no meio da noite. Dê preferencia às boas marcas de ração balanceada existentes no mercado, em quantidade e tipo adequados à faixa etária de seu cão. Seja sensato e ponderado em tudo isso, pois as situações podem variar e o filhote depende de você.

 

Comida

Lembre-se, assim como você, seu cão possue paladar e preferências alimentares. Não insista nas coisas que ele não gosta. Tenha bom-senso e procure alternativas conciliadoras. Se o cão recusar a comida habitual (caso não seja ração seca) e não estiver doente, retire o prato e jogue fora a comida. Deixada no prato, pode fermentar e ficar com gosto ruim e/ou fazer mal ao animal. Não se esqueça de retirar a coleira enforcadora caso o cão esteja sozinho em casa ou no pátio.

Outro livro (e DVD) que recomendo:

Chama-se "Adestramento Inteligente" de Alexandre Rossi.


 

Os cães são similares aos seres humanos em muitas coisas. Eles precisam de companheirismo, bem como de estímulos físicos e mentais para atingir seu potencial. Eles respondem às recompensas e também desenvolvem maus-hábitos quando entediados. E estão sempre aprendendo, seja na "hora da aula" ou durante o resto do tempo. Os cães são nossos melhores amigos porque estão mais que dispostos a viver com a matilha humana e obedecer seus comandos.

Lembre-se: Errar é humano. Perdoar é canino.


Bibliografia:

Volta ao

"arbusto geneológico"

dos filhotes da Ana

 A genética e a

cor da pelagem

E o cão

IDOSO???

pg da LUNA

Lunera e seu

LIVRO

 Volta à pg da

ANA


mlevacov@penta.ufrgs.br
Página criada em dezembro de 1997 em homenagem aos filhotes da Ana.
Atualizada em 2009
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